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    Eduardo Bizon


    Hospital Vermelhinho e a Rede Globo

    Hospital Vermelhinho e a Rede Globo

    Aqui estou eu mais uma vez, neste espaço concedido pelo jornal Gazeta Regional, para relatar o cotidiano do Hospital Municipal Vereador José Storópolli, o chamado carinhosamente pela população da região dos distritos de Vila Maria, Vila Medeiros e Vila Guilherme, de Hospital Vermelhinho. É um hospital de gestão municipal, mas, com gerenciamento terceirizado pela organização social SPDM. 

    Este hospital de porte secundário vem funcionando desde o ano de 1992, algumas vezes com muita dificuldade no âmbito financeiro, com suas portas abertas para quem necessitar atendimento de urgência e emergência. E conforme preconiza o SUS não nega atendimento a que quer que o procure. Quer seja de moradores da região que precisam de atendimento de emergência, internações e cirurgias, como também, moradores de todas as regiões da capital e também de outros municípios cujos hospitais daqueles locais, tanto estaduais quanto municipais, não dão conta da demanda ou atendem de forma precária aos moradores de suas redondezas. 

    Dias atrás a Rede Globo de Televisão enviou sem avisar, repórteres que produziram matérias que, de maneira imprecisa e com desconhecimento de causa, acabaram por denegrir a imagem do hospital. Mostraram banheiros sujos, com falta de material de higiene, passando ao telespectador uma imagem que à primeira vista causa indignação. Arrastando um pouco mais a matéria conversaram com uma usuária que declarou a demora de pelo menos oito horas para ser atendida pelos médicos de plantão. 

    Nos últimos quinze anos fui conselheiro representante do usuário deste hospital por seis mandatos de dois anos de duração cada um. No momento sou conselheiro da Supervisão de Saúde da região. E desta forma posso falar categoricamente e de maneira indignada quando órgãos de imprensa vêm até o hospital para produzir matérias sensacionalistas. Obviamente que os banheiros estavam sujos, a imagem não nega. Mas, quais seriam as causas que poderiam levar a tal consequência? O hospital chega a atender vinte mil pacientes por mês e grande parte, ousaria dizer que uns 75% destes 20 mil pacientes, não são casos para atendimento hospitalar, mas sim que deveriam ser atendidos pela atenção básica de saúde, ou seja, pelas Unidades Básicas de Saúde. A quantidade excessiva de gente que circula diariamente nos corredores desse pequeno hospital, acaba por criar situações como a detectada pelas câmeras da Rede Globo. De outro modo serve de alerta para que a administração do hospital corrija o que precisa ser corrigido. Agora, o que não dá para entender é a demora de oito horas para um paciente ser atendido. E ouso mais uma vez dizer que isso não condiz com a realidade. Atualmente as equipes de plantão estão completas e a demora no atendimento entre fazer a ficha, ser chamado para atendido pelo médico até ser diagnosticada a queixa leva em média 2 a 3 horas, como eu pude constatar por duas vezes que estive no hospital no ultimo mês acompanhando dois pacientes. 

    Portanto, cabe à Rede Globo e demais órgãos de imprensa refletir e instruir suas equipes de reportagem de modo a evitar o sensacionalismo destrutivo. De outro modo creio que os repórteres precisem estudar mais sobre assuntos tão complexos como é o sistema de saúde pública. Para escrever sobre saúde pública é preciso conhecer de fato esse assunto. É preciso saber o que é atenção básica, saber o que é atendimento de especialidade e o que é atendimento de urgência e emergência, e, também saber do financiamento que é insuficiente para que as unidades de saúde funcionem adequadamente. Ouso também dizer que é uma irresponsabilidade infantil, tanto do órgão de imprensa quanto do repórter que se presta a esse serviço, fazer uma reportagem que nada acrescenta ao sistema de saúde pública. 

     

    Para terminar, eu, como conselheiro de saúde e como cronista jornalístico que me esforcei para sê-lo durante mais de dez anos, diversas vezes redigi textos críticos a essa ou aquela unidade de saúde como o Hospital Vermelhinho por exemplo. Mas, minha intenção sempre foi a de construir e não de destruir como faz a maior rede de jornalismo que cresceu vertiginosamente no país do carnaval e da operação Lava Jato.



    Escrito por Eduardo Bizon às 20h16
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    Carta ao seu doutor prefeito

    Carta ao seu doutor prefeito

    Seu doutor prefeito é com muita insatisfação que lhe dirijo essa chorosa missiva de linhas um tanto quanto tortas. Perdoe-me se durante o texto houver algum erro coloquial, pois minha formação é de engenheiro, e, estou mais para cimento e concreto do que para gramática e linguística.

    Bom, vamos ao que nos preocupa neste momento em que o país está mais para vinagre estragado do que para um saboroso vinho de uva moscatel. Faz muitos anos que resido na região do bairro de Vila Maria, aqui na cidade de São Paulo, e, caso o senhor não se situe bem quanto à localização, Vila Maria é aquele bairro que ficou famoso por ter virado xodó do ex-presidente Jânio Quadros. Seu doutor prefeito desculpe-me a franqueza, mas as coisas por aqui estão brabas, ou melhor, os moradores daqui estão brabos de fazer inveja ao bicho mais brabo que existe. Está tudo fora do lugar.

    Na área de saúde as queixas são de arrepiar. No único hospital da região, de codinome Vermelhinho, não há meio de melhorar o atendimento, e isso deixa a população preocupada e até mesmo meio enfezada. Hospital lotado, falta de leitos para acomodar os enfermos, emergência com área limitada e UTI com vagas insuficientes. De um lado quem dirige o hospital, que é a organização social SPDM, diz que o dinheiro que a prefeitura manda é pouco para tocar adequadamente, e do outro a Prefeitura que, depois de três anos de seu mandato, ainda não definiu o quer fazer de fato na área de saúde pública. Sabe seu doutor prefeito, eu também fiz parte do conselho deste hospital e juntamente com outros colegas, no meio deste ano de 2015 fomos ao Ministério Público. Lá, até conseguimos um dinheirinho, R$ 2,5 milhões, para ajudar a pagar a divida do hospital que era em torno de R$ 6 milhões. A dívida diminui por um ou dois meses, mas, já aumentou outra vez e beira os R$ 5 milhões. O senhor trocou o secretário de saúde, mas é como se não tivesse trocado, continua tudo ineficiente. Não adianta trocar o secretário, e manter a mesma estrutura com os mesmos coordenadores que estão perdidos em suas frustrações. Sua administração está contaminada por uma entropia sem fim. Enquanto o senhor se preocupa em recuperar a saúde financeira do município, peca por esquecer que saúde não pode esperar dois, três anos por mais recursos. Saúde sem dinheiro é igual a rio seco que não deságua em lugar nenhum.

    Ah, e não se esqueça das chuvas de verão onde a dengue com seus algozes zica e chikungunya vêm com tudo em 2016. Creio que as ações contra esse mal não deveriam parar nunca, mas, ao que nos parece, o senhor secretário municipal de saúde resplandeceu recentemente na TV iniciando um programa de combate ao mosquito, como se tudo fosse pela primeira vez. E o pior é que o mesmo já foi ministro da saúde.

    Agora eu queria mudar um pouquinho o tema para falar das construções que estão acontecendo por aqui. Sabe, seu doutor prefeito, um cara endinheirado compra um terreno onde tem um casario antigo. Dá entrada na Prefeitura dizendo que vai reformar o casario. Dias depois, e isso não demora muito não, é colocada uma placa no local com o nome do engenheiro responsável pela obra comunicando o inicio da reforma. E aí que a coisa fica assombrosa. Os vizinhos do lado acordam um dia de manha, com trancos e solavancos de demolição, o que provoca todo tipo de estrago em suas casas, desde trinca até queda de muros e até mesmo de cômodos inteiros devido à retirada de barrancos sem critérios técnicos pertinentes. Rapidinho tudo é posto abaixo e também rapidinho dias depois começa a erguer no local um galpão que não segue a lei com recuo nas partes frontal e laterais. Passado mais um tempinho começa a construção do andar de cima onde se pretende fazer uns apartamentinhos para locação. E, em alguns casos ainda resolve construir mais um andar em cima deste outro. Isso não é estranho. O que o senhor acha? E agora lhe pergunto. Por que não existe fiscalização durante a obra para checar a tal da reforma que foi devidamente aprovada pelo engenheiro da Prefeitura? O senhor acha bom para o futuro da cidade deixar transcorrer sem empecilho construções desse tipo. E o IPTU do imóvel novo, como é que fica – levinho como o do casario antigo ou caro como deveria ser cobrado de uma nova edificação nestas proporções? Afinal quem será beneficiado com a construção de um galpão irregular onde no futuro quem for alugar não conseguirá alvará, e que outros malandramente alugarão como depósito, mas na verdade serão pequenas transportadoras causadoras de transtornos para a vizinhança? Acho que apenas o dono da obra. Ou teria mais alguém feliz com o desmonte da cidade? É seu doutor prefeito, a coisa está braba mesmo. E agora eu concluo que foi uma perda de tempo de minha parte participar de reuniões de plano diretor e discutir um zoneamento de araque. Nestas reuniões pregam coisas bonitas para o futuro da cidade, mas, na prática tudo não passa de tapeação.

    Outra coisa que me deixa encafifado é a danada da ponte do Parque Novo Mundo que está interditada desde o inicio de seu mandato. A população local fez de tudo para chamar a atenção. Mas, pelo visto, nem a imprensa televisiva o sensibilizou.

    Só mais um pontinho nevrálgico. O Parque do Trote, o senhor conhece este parque? Pois é, anos atrás havia um projeto composto de quatro fases para a sua construção. As duas primeiras fases foram contempladas em uma obra às pressas, na época do Serra, que então desejava abandonar a Prefeitura para se candidatar a governador. As duas últimas fases ficaram adormecidas até hoje. Correspondiam à reforma dos imoveis tombados – casarão, cocheiras e bilheterias - pelo patrimônio histórico e implantação da equoterapia que beneficiaria inúmeras crianças e adultos com problemas

    psicomotores. Hoje pode se dizer que os imoveis foram tombados sim, ou melhor, viraram ruinas tombadas no chão que só não são vistas a olho nu porque estão escondidas em áreas cercadas por uma cortina de mato providencial. Quanto à equoterapia, acho que a sua administração nem sabe o que é equoterapia.

    Agora vou me despedindo, porque o espaço é curto e não cabe mais um tanto de outras queixas que ainda tenho a fazer. Quem sabe na próxima vez.

     



    Escrito por Eduardo Bizon às 16h58
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    A 18a Conferência Municipal de Saúde de São Paulo

     

    A 18ª Conferência Municipal de Saúde de São Paulo

     

    Neste ano de 2015 serão realizadas a 15ª Conferência Nacional de Saúde, a 7ª Conferência Estadual de Saúde de São Paulo e a 18ª Conferência Municipal de Saúde de São Paulo. Pretendo, neste momento, me ater à Conferência Municipal e à saúde na cidade de São Paulo, ou seja, à maneira como caminhou o sistema de saúde público desde 1.988, ano da reforma constitucional e da elaboração do SUS – Sistema Único de Saúde, e, por fim como está a saúde municipal nos dias atuais.

      A implantação do SUS na cidade de São Paulo tem sofrido bastante com a descontinuidade motivada pelas mudanças de prefeitos de diferentes partidos políticos. Alguns prefeitos eleitos assumem o cargo com seus programas de governo, com suas promessas de campanha e acabam nocivamente não cumprindo os mandamentos constitucionais e as diretrizes estabelecidas na cartilha do SUS. E, outros prefeitos que apesar de enxergarem com mais clareza a grandeza do SUS, acabam penalizados por divergências de ordem politica, devido a imposições de governos estaduais que enxergam o sistema de maneira diferente. E deste modo ao invés de construir o SUS, acabam gerando desorganização, desfragmentação e desbalanceamento do sistema. Na outra ponta está os 75% da população, que depende unicamente do sistema público de saúde, sendo penalizada pela desordem estabelecida.

    Logo após a aprovação da Constituição de 1988, a primeira mulher a ganhar as eleições para prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, assume a prefeitura para governar enfrentando todas as formas de preconceito – por ser mulher, por ser nordestina, por ser de um partido popular, e, também por ter de enfrentar dificuldades dentro de seu próprio partido. Encontra a prefeitura em condições péssimas, herdadas da administração pouco convincente de seu antecessor Jânio Quadros. Seguindo a cartilha do SUS, aos poucos fortalece a atenção básica, inicia a construção de novos hospitais e começa a direcionar o sistema para um futuro promissor. É fato que Luiza Erundina deu a largada para construção do SUS na cidade de São Paulo.

     Paulo Maluf assume o próximo mandato. De maneira desastrosa ignora o SUS, e tudo que fora feito por sua antecessora, criando uma perversidade chamada de PAS. Com cooperativas de médicos implanta um sistema de atendimento de consultas médicas imediatas, menosprezando a atenção básica. Ou seja, para Maluf prevenção de saúde é atender rápido. Esta barbaridade durou exatamente oito anos, quatro de Maluf e mais quatro de seu sucessor Celso Pitta.

     O PT volta à prefeitura com Marta Suplicy. À época, a área de saúde se encontrava destruída. O SUS volta a ser enxergado na cidade, mas, com oito anos de atraso. Marta opta pela gestão plena de saúde, ou seja, a partir de então a prefeitura passaria a administrar todas as unidades de saúde encontradas em seu território. Foi dado o pontapé inicial para a municipalização da saúde. Com isso, os centros de saúde, ambulatórios e hospitais que ainda estavam vinculados ao governo estadual passariam a ser administrado pela prefeitura, com exceção dos três grandes – Hospital das Clinicas, Hospital São Paulo e Santa Casa. Tudo parecia um sonho, mas, o sonho foi tão breve que acordamos antes que fosse realizado. O governador Geraldo Alckmin, não concordou, e continuou com a maioria dos hospitais e ambulatórios de especialidades, passando para a prefeitura apenas os centros de saúde (postos de saúde), a maioria em estado precário de funcionamento. Mesmos nestas condições a administração municipal, mesmo priorizando a implantação das Equipes de Saúde da Família, iniciou a recuperação gradativa das Unidades Básicas de Saúde. No entanto, encontrou enormes dificuldades para contratar médicos e outros profissionais de saúde, e com a impossibilidade de gerenciar com exclusividade a Central de Vagas para encaminhamento e cirurgias, consultas de especialidade e exames de imagem, ficando dependente do sistema falho do governo do estado que detinha sob sua tutela os principais ambulatórios de especialidades e a maioria dos hospitais.

     Quatro anos depois assume o prefeito José Serra. Imaginava-se que, como governos estadual e municipal eram do mesmo partido, talvez facilitasse o processo de municipalização. Triste engano. A situação continuou na mesma. Hospitais e ambulatórios de especialidades continuaram com o governo estadual, e, aí surgiam perguntas de quais eram as razões para que fosse assim. Obviamente que o governo estadual não queria perder a autonomia nos agendamentos, uma vez que municípios de todo o estado utilizavam destes hospitais estaduais e ambulatórios localizados na cidade de São Paulo para suprir as deficiências regionais encontradas. Além do potencial politico de captação de eleitores residentes do interior que eram, e ainda são, trazidos aos montes em caravanas de Vans patrocinadas por deputados, prefeitos e vereadores destas localidades. Em sua administração, Serra contribuiu para o desmantelamento do funcionalismo público na área de saúde. Vorazmente iniciou a terceirização passando o gerenciamento das unidades de saúde para Organizações Sociais. Argumentava que desta forma facilitaria a contratação de médicos e demais profissionais pelo regime CLT, dispensando a realização de novos concursos públicos. Se o motivo real era mesmo esse, Serra se equivocou, pois a situação atual nos permitiu concluir que a dificuldade em contratar profissionais médicos continua cada vez mais complicada. Serra também iniciou a implantação das AMA’s (Atendimento Médico Ambulatorial) com características de pronto atendimento com funcionamento de 12 horas. Contrariando o SUS, invadiu algumas Unidades Básicas de Saúde, subtraindo parte de sua área física para instalar um serviço que não tinha características de atenção básica, mas, sim de atendimento emergencial com consultas médicas imediatas. Dizia que as AMA´s ajudariam a diminuir o numero de pacientes dos hospitais, mas, com o passar do tempo verificou-se que traziam um inconveniente. Como funcionavam até às 19 horas, diariamente por volta das 17 horas, os pacientes que ainda não tinham sido resolvidos nas AMA’s eram levados em ambulâncias para os hospitais locais sobrecarregando os setores de urgência/emergência.

     Na sequencia assume o vice-prefeito Gilberto Kassab que posteriormente foi eleito para mais quatro anos. Continuou com a politica das AMA’s e incrementou com AMA’s de especialidades para tentar suprir os encaminhamentos de casos que não poderiam ser resolvidos nas UBS’s. Ajudou mais não foi suficiente para acabar com o problema, pois o governo do estado ainda continuava detendo a maioria das vagas. Ampliou a terceirização para Organização Social, permitindo um domínio territorial destas OS’s que atualmente ultrapassa em números o funcionalismo público, detendo mais de 50% das vagas de empregados na área de saúde municipal. Não existe plano de carreira nem para um nem para outro. Funcionários públicos trabalham com colaboradores, que é assim que eles designam seus empregados, com diferenças salariais inexplicáveis, gerando desconforto e decepção. E ainda mais grave é a concorrência entre as próprias OS’s onde não há padrão salarial e cada uma paga o valor que acha que deve pagar aos seus colaboradores. Ou seja, médico de uma OS não recebe o mesmo que o de outra. Isso é competição neoliberal e não cabe no SUS que é um sistema social.

     Por fim, atualmente temos à frente da Prefeitura, Fernando Haddad. Quando assumiu, surgiu novamente a esperança de que fossem corrigidas as distorções do sistema através da municipalização. E mais uma vez veio decepção. O atual secretário de saúde municipal não respondeu à altura da expectativa dos Movimentos Populares de Saúde e dos Conselhos Gestores. Recuou num momento que não poderia recuar, ainda mais porque tem a seu favor o fator de que a união é dirigida por presidente do seu partido. Haddad tinha tudo para acertar no alvo, mas, não foi assim. Existe uma confusão muito grande que por questões politicas impedem Haddad de avançar em direção daquilo que preconiza o SUS. Num primeiro momento a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mostrou-se contrária a continuar com as gestões das OS’s, e retornar às gestões diretas por funcionários públicos recrutados através de concursos. Enquanto uma ala dos cargos de confiança do prefeito na SMS era contrária às OS’s, prefeito e secretário diziam que não pretendiam alterar o sistema de gerenciamento. Esse impasse provocou uma inércia inaceitável, pois as alas contrárias às OS’s emperram o sistema não facilitando em nada o andamento dos trabalhos destas OS’s. Nestes dois anos e meio de governo, Haddad ainda não deixou sua marca. Fala-se em UPA’s, serviço de emergência com utilização de recursos federais. Fala-se em UBS’s integrais em substituição às AMA’s. A resolutividade é baixa. Como esse governo ainda tem um ano e meio pela frente, ainda dá tempo de corrigir. Assim espero.

     Bom, ou talvez mal, todos esses exemplos foram apresentados com a intenção de passar o entendimento de que a saúde em nosso país é uma enorme Torre de Babel. Cada prefeito assume sem dar continuidade no que foi feito de bom pelo antecessor. Alguns prefeitos ignoraram a existência do SUS e o assassinaram. Outros assumiram com a intenção de ressuscitar o SUS assassinado pelo antecessor, mas, ficam empacados à frente de um mata-burro para que de fato sejam chamados de burros por uma população que está cansada.

     Vem aí a 18ª Conferência Municipal de Saúde. Talvez essa seja a Conferência mais necessária dos últimos anos. O empenho dos Movimentos Populares e dos profissionais de saúde que acreditam no SUS é fundamental para que saiam resoluções positivas. Quer seja na questão do financiamento com a parametrização dos recursos a serem aplicados na saúde pela união, dos recursos de estados e de municípios. Quer seja nas questões de fiscalização sobre os recursos aplicados, com prestações de contas periódicas e obrigatórias. Quer seja na questão dos planos de carreiras pra profissionais de saúde. Quer seja no controle de gastos com recursos humanos de forma que seja respeitada a Lei de Responsabilidade Fiscal. Quer seja na questão do gerenciamento por administração direta ou terceirizada desde que fique de acordo com o que preconiza o SUS, ou seja, de que a terceirização de serviços deva ser complementar e não integral. Quer seja na implantação de um modelo definitivo onde a descentralização oriente para a aplicação de recursos financeiros diretamente aos municípios com a criação dos fundos municipais de saúde, e que esse modelo não permita a competição, mas, sim a cumplicidade entre união, estados e municípios no fortalecimento do SUS. 



    Categoria: SaudePublica
    Escrito por Eduardo Bizon às 20h46
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    Pronto Socorro de Lata

    A semana que passou foi marcada por assombrosas revelações da Secretaria Municipal de Saude de São Paulo. Dessas revelações que nos fazem retornar ao tempo quando então, durante a administração de Celso Pitta, foram construídas escolas de lata na cidade de São Paulo. Tema utilizado em campanhas eleitorais onde um queria comprometer o outro pela responsabilidade neste quesito. José Serra dizia que as escolas de lata teriam sido implantadas pela prefeita Marta Suplicy, que na verdade foi a responsável pelo inicio da extinção dessas malfadadas invenções da administração de Celso Pitta.

     

                 Inacreditavelmente, como eu disse no parágrafo anterior, a assombração de lata voltou, e agora na administração de Fernando Haddad. Ou pelo menos se não voltou na prática, está sendo cogitada a implantação dessa barbaridade, não na área de educação, mas agora na área de saúde pública. É o retrocesso do retrocesso. É a gota d’água que restava para transbordar o oceano de mediocridade administrativa porque passa a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Não bastasse a inércia da SMS nestes dois primeiros anos de mandato de Fernando Haddad para agora a população ter de suportar o insuportável, ou seja, botar goela abaixo a alternativa da SMS em adotar medidas provisórias de atendimento à saude em consultórios de lata.

     

                 O Pronto Socorro Municipal de Vila Maria, conhecido como Pronto Socorro Cometinha, deverá passar por reforma para a implantação de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que deverá se iniciar ainda este ano. Obra esta cuja duração foi estimada para nove meses. Mas, para que isso ocorra, o Pronto Socorro deve continuar funcionando. E, desta forma, a alternativa direcionada pela SMS, mais precisamente pela Coordenadoria de Saúde Norte, foi a de construir 400 m2 de consultórios de lata no estacionamento do Hospital Municipal Vereador José Storópolli, também conhecido como Hospital Vermelhinho. E, como é de praxe, obras públicas dificilmente conseguem cumprir o cronograma estabelecido em edital, correndo o risco de que estes nove meses possam se transformar em um ano ou mais.

     

                 De outro modo, os profissionais da SMS, como o Coordenador de Saúde Norte, o Secretário Adjunto e também o Secretário de Saúde, ao adotarem esta ideia insensata não imaginaram as consequências ao longo dos meses que estes consultórios de lata poderão acarretar no atendimento de emergência. Como é sabido o Hospital Vermelhinho, terceirizado para a Organização Social SPDM (Sociedade Paulista para Desenvolvimento da Medicina), vem atravessando uma fase muito ruim com problemas de subfinanciamento que induzem diretamente a problemas administrativos recorrentes. Fatalmente a implantação de um Pronto Socorro de Lata, mesmo que provisoriamente, em uma área do Hospital, poderá induzir a riscos cujas consequências nocivas possam ser irreversíveis.

     

                 Primeiramente qualquer que seja a finalidade, educação ou saúde, salas de lata não são adequadas para o atendimento humano. Calor e chuva podem igualmente causar desconfortos nocivos e evidentes. Por outro lado, ao instalar um Pronto Socorro de Lata na área adjacente a um hospital em plena atividade, para a população usuária ficará a impressão de que essa unidade deva fazer parte da unidade referente. Não é preciso ser PHD em saúde publica para prever que o hospital acabará tendo que incorporar ao seu dia a dia um volume adicional de pacientes. Isto levará ao colapso da unidade hospitalar, que como eu disse passa por problemas financeiros e administrativos.

     

                 Mas agora, mirando para o lado político, não posso deixar de relatar as divergências de ordem gerencial que envolve Secretaria Municipal de Saúde e Organização Social. É fato, que parte da administração petista da SMS não aceita a terceirização de gerenciamento de unidade por Organização Social. Todavia, a população nada tem a ver com essas diferenças de caráter político, e, obviamente, quando fica doente necessita do bom atendimento seja ele qual for, da administração direta ou terceirizada. O que nos leva a exigir dos administradores públicos que assumam, o quanto antes, a solução necessária para acabar com esse impasse. Ou se faz concursos públicos para trazer de volta a administração direta ou aceita de uma vez por todas as organizações sociais, e, desta forma, lhes forneça condições necessárias para que possam trabalhar adequadamente. Basta desse fogo cruzado onde a população é o principal alvo das balas perdidas.

     

                 Para encerrar, fico me perguntando se o prefeito Fernando Haddad é corretamente informado dessas ideias absurdas de seus indicados a cargos de confiança que atuam na Secretaria Municipal de Saúde. Se for e se concordar com tudo isso, fatalmente seu governo acabará estigmatizado pelos consultórios de lata.

     

     



    Categoria: SaudePublica
    Escrito por Eduardo Bizon às 12h45
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    Hospital Vermelhinho sofre com inércia da SMS

     

    Em 2011 redigi um texto relatando os problemas de financiamento do Hospital Municipal Vereador José Storópolli, de codinome Hospital Vermelhinho. Na época, quando a administração do município estava sob a responsabilidade de Serra-Kassab, os recursos repassados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não eram suficientes para que o hospital pudesse funcionar adequadamente. Mesmo assim, apesar dos recursos insuficientes, o texto publicado dizia que o hospital sofria, mas resistia à superlotação.

                 Depois de três anos, com a troca de partidos na administração municipal, tendo atualmente como prefeito o petista Fernando Haddad e decorrido um ano e quatro meses desde que tomou posse, os problemas de financiamento se repetem, porém com maiores dificuldades, uma vez que a superlotação a que nos referíamos em 2011 se transformou em hiperlotação agora em 2014. É inadmissível nos depararmos com a hiperlotação no pronto socorro deste hospital de porte secundário, com uma média diária que chega a ultrapassar sessenta pacientes em estado grave espalhados em macas e cadeiras pelos corredores, em um local cujo projeto inicial à época de sua inauguração em 1992 previa atendimento simultâneo para apenas dezesseis pessoas. A situação atual caminha para o caos com pessoas correndo riscos presumíveis.

                 Consta que em abril de 2013, quatro meses depois da posse de Haddad, o Conselho Gestor do Hospital dirigiu-se até a Autarquia Hospitalar, que é o órgão municipal responsável pelo funcionamento dos hospitais, onde foi formalizada denuncia sobre os problemas de superlotação do pronto socorro e deficiências no funcionamento geral do hospital. A partir de então foi constituído um grupo de profissionais da SMS que em maio de 2013 vieram até o hospital com o intuito de averiguar e fazer levantamento de dados. Foi gerado um relatório enorme apontando diversas intervenções necessárias de modo a trazer melhorias que envolviam desde recursos humanos até reformas em diversos locais e principalmente no pronto socorro. Tempos depois, ainda em 2013, fomos informados que o hospital havia sido contemplado com recursos federais no valor de R$ 3 milhões, que apesar de pouco, daria para realizar uma reforma do Pronto Socorro. Ou seja, apenas uma reforma e não uma ampliação como todos entendiam que devesse ocorrer.

                 Completado um ano, desde então, a SMS permanece numa inércia intolerável.  Depois da visita realizada em Maio de 2013, vieram mais duas ou três vezes ao hospital, gerando mais e mais relatórios, enrolando sem constrangimento um novelo sem fim. O que nos leva a crer que a Coordenadoria de Saúde Norte, responsável pela região de Vila Maria, está se mostrando incompetente para levar a coisa adiante, sob a pena de ver esvair-se o recurso federal de R$ 3 milhões por pura imperícia técnico-administrativa que impediu sua utilização no ano de 2014, para que seja utilizado apenas no ano de 2015. Ou seja, a reforma não mais acontecerá neste ano.

                 Quando o coordenador não é capaz de resolver problemas locais, obviamente que reflete no poder central, ou seja, na SMS. Obviamente que o senhor secretário, engenheiro de formação e político não eleito para a prefeitura de Diadema na eleição passada, não está sendo eficaz e desta forma ainda não conseguiu convencer o Movimento Popular de Saúde Norte de que é um secretário comprometido com o bom atendimento à população. É inexplicável que depois de dezesseis meses de governo, o senhor secretário não conseguiu dedicar uma horinha do seu tempo para visitar o Hospital Vermelhinho, ou melhor, visitar a região dos distritos de Vila Maria, Vila Guilherme e Vila Medeiros. O senhor secretário tem obrigação de no mínimo conhecer cada um dos hospitais sob sua gestão, mas, absurdamente nem sabe onde fica o Hospital Vermelhinho. De outro modo, o senhor secretário precisa entender que São Paulo exige muito mais do que Diadema e que cada bairro de São Paulo é uma Diadema. E pior do que isso, na verdade a SMS é constituída por pessoas que fazem reuniões e mais reuniões fechadas em gabinetes, tomam medidas burocráticas que na verdade não resolvem nunca os problemas, pois não conhecem as unidades de saúde das quais são responsáveis pela gestão, e, desta forma contribuem para transformar a vida das pessoas que precisam de atendimento público de saúde num inferno.

                 Outro ponto que é preciso abordar, mesmo que rapidamente, é a questão da administração petista ser radicalmente contra as Organizações Sociais (OS). Está evidente que algumas pessoas que ocupam cargos estratégicos da SMS, são contra a administração da saúde terceirizada por OS e defendem a administração direta por funcionários públicos admitidos através de concurso. O Hospital Vermelhinho, com responsabilidade de gestão da SMS, é administrado pela OS SPDM (Sociedade Paulista para Desenvolvimento da Medicina). Desta forma a atual SMS precisa tomar uma posição definitiva, ou seja, assumir de fato que defende a administração direta e gradativamente não renovar contratos que forem vencendo com as Organizações Sociais para retornar ao regime estatutário com a realização de concursos públicos necessários para essa finalidade. A SMS precisa acabar com essa brincadeira de gato e rato que acontece com a OS como está evidente na atual gestão municipal, sem que na verdade se saiba quem é o gato e quem é o rato nessa pasmaceira. E, também precisa entender que ao dificultar a ação da OS, as consequentes mazelas administrativas acabarão recaindo sobre a própria SMS que é a responsável pela gestão.

                 Entretanto, para o usuário do SUS não interessa se a administração é direta ou terceirizada. O que importa é ser bem atendido. Aliás, a população nem imagina que o hospital é dirigido pela SPDM e na verdade nem sabe o que é SPDM. O que não dá para aceitar é esperar um ano ou mais para fazer uma simples cirurgia de hérnia ou de vesícula. E o absurdo de continuar fazendo cirurgias pelo antigo método convencional onde a barriga do paciente é cortada de lado a lado aumentando o custo de internação e ao mesmo tempo tornando inacreditável que um Hospital como o Vermelhinho, em mais de vinte anos de funcionamento, ainda não possua um aparelho de Videolaparoscopia. Outro absurdo é aguardar meses e até anos para realizar uma cirurgia ortopédica simples de milhares de casos que ficam empacados na incompetente regulação de vagas. E pior do que tudo isso é observar diariamente os corredores do pronto socorro lotados de pacientes em estado grave, a maioria idosos, aguardando por um milagre que vem dos céus para tirá-los daquela situação de morbidez.

     



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    Escrito por Eduardo Bizon às 18h57
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    Anjos de Deus

     

    Hoje, 29 de dezembro de 2013, ao assistir o Esporte Espetacular da Rede Globo, eu, que tenho formação em engenharia cuja essencialidade é a racionalidade, e que não tenho por hábito me emocionar facilmente, por mais que eu me esforçasse para dizer que não, me peguei com os olhos lacrimejando. Trata-se da reportagem “Portadores de necessidades especiais superam dificuldades através do Tae Kwondo”, que fala sobre o projeto do policial militar de São Paulo, Marcelo Rezende, que treina gratuitamente esta modalidade de luta marcial nas instalações da Policia Militar. Tempos atrás ele foi procurado pela Fundação JK que propôs a ele o desafio de treinar também pessoas portadoras de necessidades especiais. O desafio foi posto em prática, e, hoje o Esporte Espetacular apresentou três dos beneficiados. O jovem Hugo que nasceu com paralisia cerebral, nunca andou, mas que após o treinamento começou a andar e hoje é faixa preta de Tae Kwondo. O professor de letras aposentado de cinquenta e um anos de idade que foi acometido de uma doença degenerativa que lhe tirou o movimento dos braços e que poderia espalhar para outras partes do corpo, mas, que com o treinamento estacionou a doença. E a menina Gabriela de seis anos de idade que nunca andou e que após iniciar o treinamento começou a gatinhar e mover as perninhas.

                 Depois de assistir à reportagem, comecei a refletir, e retornei seis anos no tempo. Sentei de fronte ao meu microcomputador para redigir este texto para compartilhar com outras pessoas a falta de sensatez dos nossos governantes para tudo o que se refere às pessoas portadoras de necessidades especiais.

                 No ano de 2007 fui por algum tempo conselheiro gestor do Parque do Trote, localizado no bairro de Vila Guilherme na cidade de São Paulo. Esse parque municipal antigamente pertencia à Associação Paulista de Trote, ou seja, era o local onde eram realizadas corridas de cavalos em charretes ou sulkys. Em 2005 a área foi desapropriada para que o local se transformasse no que hoje é designado de Parque do Trote. À época o prefeito de São Paulo era José Serra. Como Serra ambicionava o governo do estado precisariam acontecer muitas obras de modo a convencer a população da cidade de que se ele fosse um bom prefeito entre aspas poderia ser o futuro bom governador também entre aspas. Dessa forma o projeto do Parque do Trote que constaria de quatro fases foi contemplado com uma das obras que alavancaria na região votos para sua eleição a governador. Com auxilio financeiro da construtora que almejava construir dezoito torres de apartamentos na área vizinha ao Trote, o antigo Marte Center, foram realizadas sem muito planejamento as duas primeiras fases. As duas fases finais, depois de sete anos ainda não saíram do lugar. Nem Serra, nem Kassab e por enquanto nem Haddad mostraram suas intenções quanto à realização das duas ultimas fases.

                 A terceira fase corresponde à reforma e recuperação das cocheiras, bilheterias, arquibancadas do antigo hipódromo que foram tombados pelo patrimônio histórico da cidade. Infelizmente nada foi feito, e o que restou, tristemente, está praticamente em ruínas. A quarta fase, e agora que eu retorno ao inicio deste texto, consta em implantar a Equoterapia nas dependências do Parque do Trote.

                 A Equoterapia, aprovada pelo Conselho Federal de Medicina em 1997, é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo para estimular o desenvolvimento de pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais envolvendo profissionais das áreas de saúde, educação e equitação. É indicada para adultos e crianças com alterações físicas, psicológicas e sociais, e crianças com déficit de aprendizagem, hiperatividade e distúrbios comportamentais.  

                 Em 2007 levei em uma reunião ordinária duas representantes do IAD (Instituto Anjos de Deus), uma Organização Social de Interesse Público (OSCIP), representada pela pedagoga Mariluci Andrade e pela fisioterapeuta Rosana Cruz, onde foi exposto o trabalho que desenvolviam e também o interesse que tinham em poder somar esforços no atendimento gratuito à população carente da cidade que necessita desse tipo de tratamento.

                 À época, o IAD elaborou projeto detalhado demonstrando capacidade técnica para atender inicialmente 160 pacientes, dobrar em alguns meses para 320 e atingir a capacidade total de 600. Falaram da carência desse tipo de atendimento cuja fila de espera, na época, era de 900 pacientes que aguardam até cinco anos para o primeiro atendimento. Ressaltaram ainda que o Parque poderia se tornar referência em Equoterapia com possibilidades de parcerias com outros países adeptos, como a Itália, por exemplo. Ao final uma paciente do IAD, presente à reunião, sensibilizou, dizendo que quando estava sobre o cavalo, fechava os olhos, e tinha a grata sensação de estar caminhando normalmente com seus próprios pés.

                 Como eu disse anteriormente, fui conselheiro por pouco tempo do Parque do Trote. Depois de participar de algumas reuniões acabei me convencendo da minha saída. Constatei que alguns dos conselheiros eram ligados a partidos políticos e defendiam interesses de vereadores e desta forma acabavam dificultando o andamento de ações cujas únicas finalidades eram a de promover o bem estar social, principalmente da população carente. 

                 A Equoterapia é cara e só tem acesso uma minoria da população que tem alto poder aquisitivo para bancar o tratamento. E, por que não implantar esse tipo de tratamento gratuitamente à população menos favorecida? E, por que não implantar no Parque do Trote, conservando a tradição de suas concheiras que por tantos anos acomodaram cavalos de corrida de sulkys?

                 Agora, finalzinho do ano de 2013, nada se fala mais a respeito de Equoterapia no Parque do Trote. Quem sabe esse texto possa de alguma maneira chegar a ser lido por gente que se interesse pelo beneficio que muitas crianças e adultos portadores de deficiências possam vir a receber.

     



    Categoria: MeioAmbiente
    Escrito por Eduardo Bizon às 16h44
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    O Estábulo

     

    Os anos vão se passando, os costumes mudam de acordo com a época, a gente vai se adaptando, se moldando, mas, alguns hábitos adquiridos pela influência de sábios professores que estamos sempre lembrando e não esquecemos jamais, continuam mantidos para todo o sempre. E foi assim que aprendi a ter gosto pela leitura de poesias e poemas, especialmente os de poetisas. A possibilidade de poder pelo menos tentar desvendar o sensível universo feminino é cativante e me agrada a leitura dos versos das brasileiras Cecília Meireles e Cora Coralina, da portuguesa Florbela Espanca e da chilena Gabriela Mistral. Um poema da poetisa chilena que retrata o nascimento de um menino trilhou o caminho para que eu viesse redigir este texto que proponho que seja uma crônica de natal ou qualquer coisa parecida.

            Farei um breve resumo sobre a história de Gabriela Mistral, tão conhecida dos povos da América do Sul. Nasceu numa pequena aldeia de Elqui, no Chile. Foi batizada com o nome de Lucila Godoy y Alcayaga. Seu pai abandonou a família quando ela ainda era pequena. A mãe viveu muitos anos e contou que surpreendia a filha sozinha a conversar com as aves e com as flores. Ainda jovem, com quinze anos, tornou-se professorinha na escola de sua aldeia. Aos vinte anos apaixona-se e casa-se com um homem simples, operário da estrada de ferro. Tempos depois ele a traiu e o destino o levou, pouco tempo depois, a interromper seus dias, suicidando-se. Tal faceta veio cumprir o destino da jovem camponesa. Os poemas escritos em memória do morto revelaram uma obra poética melancólica e apaixonada. Para seus alunos, a quem transferiu amor maternal, criou canções ingênuas e cantigas de roda. Numa estranha mistura de hinos religiosos e cantigas infantis, poemas com gosto de terra, sobre o pão e o vinho, o sal, o milho e a água, ofereceu a todos os povos sedentos do mundo o alimento de uma linda fonte que jorra limpidamente sobre seus corações. Em 1945 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Eis o poema:

    Ao chegar a meia-noite

    rompendo em pranto o Menino,

    cem animais despertaram

    e o estábulo se fez vivo.

     

    Acercaram-se estendendo

    para o lado do Menino,

    cem pescoços anelantes

    como um bosque sacudido.

     

    Um boi exalou-lhe ao rosto

    seu bafejo - mas sem ruído.

    E tinha olhos ternos

    a humildade do rocio.

     

    Uma ovelha o acariciava

    contra sua lã suavíssima.

    E as mãozinhas lhe lambiam

    de cócoras, dois cabritos.

     

    Pelas paredes do estábulo

    docemente espaireciam,

    bandos de melros e galos,

    de faisões e de palmípedes.

     

     

    Os faisões com reverência

    passavam sobre o Menino

    a grande cauda de cores;

    as aves de largos bicos.

     

    Vinham ajeitar-lhe as palhas;

    e dos melros o remoinho

    era um palpitante véu

    por sobre o recém-nascido.

     

    E a Virgem entre chavelhos

    e respiros brancacentos,

    ia e vinha tonta, sem

    poder tomar o Menino.

     

    E José chegava rindo

    para ocultar a mofina.

    E era como bosque ao vento

    o estábulo comovido.

                 Ao meu gosto não tem poema sobre a natividade mais cativante do que este que tem por título "O Estábulo". De maneira iluminada seus versos me induzem a refletir sobre as palavras simplicidade, humildade, generosidade, enfim, todas essas palavras do nosso idioma que rimam com a palavra bondade. O quadro singelo está aí pintado. É comovente o respeito e cuidado dos animais com a nova vida que vem chegando e a reação espontânea de alegria dos pais no interior do estábulo comovido.

                 Esse poema me faz lembrar minha mãe. Com seus oitenta e dois anos, nos dará o prazer, de celebrar mais vez o Natal em família. Dias atrás passei em sua casa. Ao entrar na sala a encontrei desembrulhando imagens envolvidas com papel jornal para armar o presépio que conserva a mais de cinquenta anos. Não me contive e iniciei minha participação na adorável tarefa. Montamos o presépio mais lindo do mundo, o mesmo presépio de minha infância, o mesmo presépio que tantas vezes nos cativou e que conserva a magia de nos fazer recordar momentos felizes.

                 Aos meus conhecidos e desconhecidos que vierem a ler este texto, é o meu desejo que encerrem o ano em família e muito felizes.   

     



    Categoria: CronicaMemorialista
    Escrito por Eduardo Bizon às 12h00
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    Plano Diretor da cidade de São Paulo?

     

    Segunda-Feira, dia 09 de Dezembro, aconteceu uma plenária local para expor aos pouquíssimos presentes, as proposições daquilo que se pretende para a cidade de São Paulo nos próximos dez anos. Havia na quadra esportiva do clube municipal do bairro de Vila Maria, em torno de quinze representantes da população e o restante, para avolumar e causar falsa impressão de lotação, funcionários que trabalham na Subprefeitura.

     Eu, que não pude participar das reuniões que aconteceram anteriormente, resolvi comparecer desta vez para ouvir o que a principio chateou e ao final não convenceu. Ainda não será dessa vez que a cidade terá um Plano Diretor capaz de orientar o crescimento sustentável.   

     Uma arquiteta expos o que foi previamente preparado, falando em eixo disso e eixo daquilo, em zonas de preservação ambiental, em mobilidade urbana, em recuperação do centro, no tal do arco do futuro cuja área é delimitada pelos rios Tietê e Pinheiros e pelas ferrovias onde se concentram as indústrias, e, depois, voltou-se novamente a frisar os tais dos eixos numa linguagem tecnica de difícil entendimento aos leigos presentes. Eu que tenho formação em engenharia e que já participei de discussões do plano diretor traçado na época da prefeita Marta Suplicy, confesso que por alguns momentos fiquei boiando e ao mesmo tempo me perguntando: o plano diretor atual não deveria se espelhar nas propostas definidas no plano diretor de 10 anos atrás?  Ou pelo menos dar sequencia em alguns pontos fundamentais definidos naquela época como, como por exemplo, as questões que envolviam transporte coletivo (corredores e terminais intermodais, etc.)? Marta não foi reeleita e seus sucessores Serra e Kassab simplesmente ignoraram o que havia sido estabelecido e governaram mal a cidade à luz de suas opacas estratégias de falsos profetas. De outro modo, cada qual parece entender que deva começar do zero, não dando continuidade às propostas de seus antecessores.

     Havia dois vereadores na plenária. José Police Neto como mediador e Nabil Bonduki que é o relator do plano diretor. Depois da fala da arquiteta, pessoas do publico se inscreveram para se manifestar. Alguns fizeram um pouco de confusão para falar de saúde e outros assuntos não referentes ao plano diretor, mas, aproveitaram a oportunidade para expor as deficiências do sistema de saude e da ausência do senhor prefeito e do senhor secretario municipal de saúde que depois de um ano de governo ainda não visitaram a região. Outros falaram sobre a vocação, ou melhor, que é preciso desvendar qual o tipo de vocação da região de Vila Maria, além de que é preciso olhar com mais atenção para as comunidades de favela localizadas da região da Funerária. Outros sobre a linha do Metrô prevista para os próximos anos, e outros sobre o transporte de carga que é o problema mais grave e que causa um forte impacto nocivo à qualidade de vida da população, principalmente no que se refere ao Terminal de Cargas Fernão Dias e que o plano diretor deveria no mínimo prever sua desativação nos próximos anos.

     Ao término das falas, foi passada a palavra ao vereador Nabil Bonduki. E aí eu fiquei incomodado. Nabil, um dos sérios e confiáveis vereadores da atualidade, renomado arquiteto, professor da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) e relator do plano diretor mostrou desconhecer os problemas causados pelas inúmeras transportadoras espalhadas pelos distritos de Vila Maria e Vila Guilherme e comunicou-nos que ainda teríamos mais uma semana para nos manifestar através do site da Câmara e propor alterações neste plano diretor que não prevê nem ao menos um corredor de ônibus para a região. Não é possível que apenas as zonas leste e sul da cidade sejam vistas pelo pessoal que traça o plano diretor. Na verdade, e aí é uma opinião particular, mira-se muito mais o potencial de voto das regiões que é para onde são direcionadas as propostas de melhorias.

     O cenário é complicado. Passado o primeiro ano de governo, o prefeito eleito ainda não mostrou para o que veio. Os vereadores da comissão relativa ao plano diretor desconhecem os reais problemas locais. Recuso-me falar a palavra esperança ou de que quem sabe no ano que vem tudo melhore, pois é ano eleitoral e coisa e tal. A população de São Paulo não quer ouvir falar de eixo de plano diretor disso ou daquilo. Os moradores da cidade querem ação, e, neste ano de 2013, o que viram foi uma inércia angustiante.

     



    Categoria: MeioAmbiente
    Escrito por Eduardo Bizon às 17h37
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    A Cidade é meu Bairro

     

    Teve uma época em que eu redigia crônicas semanais para um jornal local, os chamados jornais de bairro da cidade onde resido, São Paulo. Costumava dizer, e continuo pensando da mesma forma, de que uma cidade enorme como São Paulo, subdividida por distritos, que por sua vez são subdivididos por incontáveis bairros e vilas e vielas e becos e perifericamente por favelas onde habitam em condições desfavoráveis milhares de pessoas que ao longo do meio do século passado para cá, e agora parafraseando o poeta Drummond, se proliferam mais do que formigas de um formigueiro infinito. E, que obviamente, cada bairro ou distrito da cidade pode ser considerado como outra cidade devido ao número de habitantes muitas vezes superior aos habitantes de várias outras cidades do país.

     Portanto, pelas dimensões estratosféricas da cidade, o meu universo de vida acaba se convergindo para o bairro onde moro, o que me leva a considerar que a cidade é o meu bairro, que a Vila Maria é a minha cidade, é a minha aldeia e que o rio que por aqui passa apesar de não ser o mais belo de todos, é o rio pelo qual eu luto para que se transforme no mais belo de todos.

     E assim eu vivo, lutando, militando de maneira utópica em movimentos populares em busca de melhorias para as áreas de saúde, de educação, de transporte e de lazer para as pessoas que coabitam esse universo juntamente comigo. Quando a gente fala assim, dá a impressão de que é fala de político oportunista, mas, não é não, e aí eu desabotoo a camisa e mostro o peito aberto em riste pronto para investir contra as fracas administrações que têm se sucedido ao longo das ultimas décadas.

     Dias atrás, embora eu tenha chegado ao finalzinho por motivos de trabalho, realizou-se a plenária do plano diretor para tentar fazer acontecer participação popular nas realizações da administração municipal na região em 2014. Participaram poucas pessoas. O que leva a crer que o PT perdeu a capacidade de aglutinar pessoas, isto comparado às administrações Erundina ou Marta, que anos atrás atraia um número bem maior de pessoas. Assim fica difícil dizer que as resoluções tiveram realmente participação popular.

     De qualquer forma, apesar de pouco, a área de saúde foi contemplada com duas obras. Uma delas é o projeto de construção da UBS Jardim Julieta, próximo ao Terminal de Cargas Fernão Dias, cuja luta popular reivindicando essa unidade foi iniciada em 2002 e se arrastou perseverantemente nos últimos 11 anos, para que finalmente acontecesse, ou melhor, deverá acontecer em 2014. Acho importante deixar registrado o nome de uma mulher lutadora, Neide Ramos, que iniciou com a cara e a coragem a reivindicação dessa obra tão necessária para a região.

     A outra obra na área de saúde, na verdade não é uma obra, mas sim a reforma do Pronto Socorro do Hospital Municipal Vereador José Storópolli, de codinome Hospital Vermelhinho, localizado no Parque Novo Mundo. Foi previsto a liberação do valor de R$ 3 milhões de reais para readequar o setor de emergência desse hospital que quando inaugurado no ano de 1992, havia sido projetado para atender 16 pacientes. Atualmente chega a atender 60 pacientes simultaneamente em local de área restrita o que obriga que essas pessoas que chegam lá em estado grave de saúde fiquem espalhadas em macas e cadeiras pelos corredores que circundam a sala de emergência. É importante frisar que se isso acontece é porque o Hospital Vermelhinho atende 100% SUS e não nega atendimento a ninguém, diferentemente de outros hospitais da região que deveriam fazer o mesmo e não o fazem. Mas, isso é um problema a ser resolvido pela Secretaria Municipal de Saúde.

     Quando me referi ao valor de R$ 3 milhões, eu tinha uma intenção, ou seja, a de dizer que esse valor é muito pouco para todas as necessidades estruturais de estragos que foram se acumulando desde a inauguração 21 anos atrás. Na verdade o hospital precisa no mínimo de R$ 10 milhões. Portanto a reforma do Pronto Socorro é apenas um paliativo que nos causa empolgação quando recebemos a noticia, mas, que depois de pensar um pouco não convence. De outro modo a liberação do recurso só acabou acontecendo pela luta incansável de mais uma mulher guerreira, Maria Regina da Costa e Silva, uma gigante cuja militância nos movimentos populares de saúde a possibilitou orgulhosamente de participar da construção desse hospital, e, que ainda continua participando intensamente como membro integrante de seu Conselho Gestor.

     Depois de praticamente um ano desde que Fernando Haddad assumiu como prefeito, até hoje, nem prefeito nem secretario municipal de saúde visitou a região, o que faz surgir anedotas na região de que eles nem sabem onde fica a Vila Maria. Imagino que se pelo menos o senhor secretario de saúde tivesse visitado o hospital, que é no mínimo uma obrigação, talvez ele tivesse podido concluir que não é só o Pronto Socorro que precisa de reforma. Acredito que o cargo de secretario de saude precisa ser mais dinâmico e menos burocrático. O secretário precisa sair mais do gabinete e se obrigar a conhecer pessoalmente as unidades sobre sua responsabilidade. Precisa ouvir mais a população e fazer menos reuniões. Se não fica naquela de só ouvir dizer o que seus coordenadores e assessores lhe transmitem da maneira que lhes convém.

     



    Categoria: SaudePublica
    Escrito por Eduardo Bizon às 16h17
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    Tolos enganos

    Quando Lula ganhou a eleição para presidente da república, parecia que as coisas iriam entrar aos poucos nos eixos e tudo poderia mudar em nome da esperança. Coisa de slogan de campanha. Passados pouco mais de uma década desde que assumiu a presidência pela primeira vez, o brasileiro que pensa conclui que tudo não passou de tolos enganos. As ilusões foram jogadas pelo ralo, os sonhos se transformaram em pesadelos. É muita sujeira, muito desvio de dinheiro público, muita incoerência entre o que se falou e o que se fez. O país continua num atoleiro sem fim e as reformas necessárias não aconteceram. No governo federal explodiu o escândalo do Mensalão, nos governos estaduais de São Paulo e de Brasília os escândalos no Metrô e no Trem Metropolitano e no governo municipal de São Paulo a roubalheira imposta pela máfia do INSS que funcionava que era uma maravilha desde 2002. Vivemos na vida real o “Auto da Barca do Inferno” de Gil Vicente. E nesta barca ninguém se salva.

     É demoníaca a aptidão dessas pessoas, estrategicamente posicionadas em cargos comissionados, de se corromper para canalizar recursos para campanhas políticas e também para enriquecimento próprio.  Mais demoníaca ainda é falta de escrúpulos dos políticos que os indicam para ocupar tais cargos, e, quando a casa cai se fazem de inocentes, do tipo eu não vi nada, eu não sabia de nada.

     Desde a adolescência me esforço para tentar entender os rumos impostos por essa tal de política de araque onde o poder acaba caindo, na grande maioria das vezes, nas mãos de pessoas prepotentes, arrogantes, desonestas, falsas, incompetentes e ignorantes. Fazer o que? No mínimo a população precisa ser esclarecida. O caminho das pedras pede coragem. E, coragem é coisa de doido nesse país de leis distorcidas. De qualquer maneira, coragem, aliada à perspicácia, são instrumentos necessários para desmantelar o jogo de cartas marcadas.

     Em anos de eleição tudo pode acontecer. Obras sem planejamento e superfaturadas rolam sem empecilhos. Brindes e cestas básicas são distribuídos como troféus na cata de votos do obscurantismo. Artistas, se é que podem ser chamados de artistas, se vendem por cachês milionários para promover falsos políticos. Fortunas provenientes de fontes escusas são gastas em propagandas enganosas. E nada ainda foi feito no Congresso Nacional para mudar esse quadro tenebroso, cujas consequências nocivas estão levando nossas instituições á falência.

     O alento para prosseguir, e agora eu serei otimista, é que no embate democrático a resposta pode ser dada nas urnas. Ao longo de nossa história muitos têm nos enganado. Alguns ainda continuarão nos enganando por mais algum tempo. Mas chegará a hora em que serão desmascarados de fato. E se assim não for continuaremos a amargar tolos enganos.



    Categoria: CronicaMemorialista
    Escrito por Eduardo Bizon às 13h37
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