Hospital Vermelhinho sofre com inércia da SMS

 

Em 2011 redigi um texto relatando os problemas de financiamento do Hospital Municipal Vereador José Storópolli, de codinome Hospital Vermelhinho. Na época, quando a administração do município estava sob a responsabilidade de Serra-Kassab, os recursos repassados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não eram suficientes para que o hospital pudesse funcionar adequadamente. Mesmo assim, apesar dos recursos insuficientes, o texto publicado dizia que o hospital sofria, mas resistia à superlotação.

             Depois de três anos, com a troca de partidos na administração municipal, tendo atualmente como prefeito o petista Fernando Haddad e decorrido um ano e quatro meses desde que tomou posse, os problemas de financiamento se repetem, porém com maiores dificuldades, uma vez que a superlotação a que nos referíamos em 2011 se transformou em hiperlotação agora em 2014. É inadmissível nos depararmos com a hiperlotação no pronto socorro deste hospital de porte secundário, com uma média diária que chega a ultrapassar sessenta pacientes em estado grave espalhados em macas e cadeiras pelos corredores, em um local cujo projeto inicial à época de sua inauguração em 1992 previa atendimento simultâneo para apenas dezesseis pessoas. A situação atual caminha para o caos com pessoas correndo riscos presumíveis.

             Consta que em abril de 2013, quatro meses depois da posse de Haddad, o Conselho Gestor do Hospital dirigiu-se até a Autarquia Hospitalar, que é o órgão municipal responsável pelo funcionamento dos hospitais, onde foi formalizada denuncia sobre os problemas de superlotação do pronto socorro e deficiências no funcionamento geral do hospital. A partir de então foi constituído um grupo de profissionais da SMS que em maio de 2013 vieram até o hospital com o intuito de averiguar e fazer levantamento de dados. Foi gerado um relatório enorme apontando diversas intervenções necessárias de modo a trazer melhorias que envolviam desde recursos humanos até reformas em diversos locais e principalmente no pronto socorro. Tempos depois, ainda em 2013, fomos informados que o hospital havia sido contemplado com recursos federais no valor de R$ 3 milhões, que apesar de pouco, daria para realizar uma reforma do Pronto Socorro. Ou seja, apenas uma reforma e não uma ampliação como todos entendiam que devesse ocorrer.

             Completado um ano, desde então, a SMS permanece numa inércia intolerável.  Depois da visita realizada em Maio de 2013, vieram mais duas ou três vezes ao hospital, gerando mais e mais relatórios, enrolando sem constrangimento um novelo sem fim. O que nos leva a crer que a Coordenadoria de Saúde Norte, responsável pela região de Vila Maria, está se mostrando incompetente para levar a coisa adiante, sob a pena de ver esvair-se o recurso federal de R$ 3 milhões por pura imperícia técnico-administrativa que impediu sua utilização no ano de 2014, para que seja utilizado apenas no ano de 2015. Ou seja, a reforma não mais acontecerá neste ano.

             Quando o coordenador não é capaz de resolver problemas locais, obviamente que reflete no poder central, ou seja, na SMS. Obviamente que o senhor secretário, engenheiro de formação e político não eleito para a prefeitura de Diadema na eleição passada, não está sendo eficaz e desta forma ainda não conseguiu convencer o Movimento Popular de Saúde Norte de que é um secretário comprometido com o bom atendimento à população. É inexplicável que depois de dezesseis meses de governo, o senhor secretário não conseguiu dedicar uma horinha do seu tempo para visitar o Hospital Vermelhinho, ou melhor, visitar a região dos distritos de Vila Maria, Vila Guilherme e Vila Medeiros. O senhor secretário tem obrigação de no mínimo conhecer cada um dos hospitais sob sua gestão, mas, absurdamente nem sabe onde fica o Hospital Vermelhinho. De outro modo, o senhor secretário precisa entender que São Paulo exige muito mais do que Diadema e que cada bairro de São Paulo é uma Diadema. E pior do que isso, na verdade a SMS é constituída por pessoas que fazem reuniões e mais reuniões fechadas em gabinetes, tomam medidas burocráticas que na verdade não resolvem nunca os problemas, pois não conhecem as unidades de saúde das quais são responsáveis pela gestão, e, desta forma contribuem para transformar a vida das pessoas que precisam de atendimento público de saúde num inferno.

             Outro ponto que é preciso abordar, mesmo que rapidamente, é a questão da administração petista ser radicalmente contra as Organizações Sociais (OS). Está evidente que algumas pessoas que ocupam cargos estratégicos da SMS, são contra a administração da saúde terceirizada por OS e defendem a administração direta por funcionários públicos admitidos através de concurso. O Hospital Vermelhinho, com responsabilidade de gestão da SMS, é administrado pela OS SPDM (Sociedade Paulista para Desenvolvimento da Medicina). Desta forma a atual SMS precisa tomar uma posição definitiva, ou seja, assumir de fato que defende a administração direta e gradativamente não renovar contratos que forem vencendo com as Organizações Sociais para retornar ao regime estatutário com a realização de concursos públicos necessários para essa finalidade. A SMS precisa acabar com essa brincadeira de gato e rato que acontece com a OS como está evidente na atual gestão municipal, sem que na verdade se saiba quem é o gato e quem é o rato nessa pasmaceira. E, também precisa entender que ao dificultar a ação da OS, as consequentes mazelas administrativas acabarão recaindo sobre a própria SMS que é a responsável pela gestão.

             Entretanto, para o usuário do SUS não interessa se a administração é direta ou terceirizada. O que importa é ser bem atendido. Aliás, a população nem imagina que o hospital é dirigido pela SPDM e na verdade nem sabe o que é SPDM. O que não dá para aceitar é esperar um ano ou mais para fazer uma simples cirurgia de hérnia ou de vesícula. E o absurdo de continuar fazendo cirurgias pelo antigo método convencional onde a barriga do paciente é cortada de lado a lado aumentando o custo de internação e ao mesmo tempo tornando inacreditável que um Hospital como o Vermelhinho, em mais de vinte anos de funcionamento, ainda não possua um aparelho de Videolaparoscopia. Outro absurdo é aguardar meses e até anos para realizar uma cirurgia ortopédica simples de milhares de casos que ficam empacados na incompetente regulação de vagas. E pior do que tudo isso é observar diariamente os corredores do pronto socorro lotados de pacientes em estado grave, a maioria idosos, aguardando por um milagre que vem dos céus para tirá-los daquela situação de morbidez.