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    Eduardo Bizon


    Carta ao seu doutor prefeito

    Carta ao seu doutor prefeito

    Seu doutor prefeito é com muita insatisfação que lhe dirijo essa chorosa missiva de linhas um tanto quanto tortas. Perdoe-me se durante o texto houver algum erro coloquial, pois minha formação é de engenheiro, e, estou mais para cimento e concreto do que para gramática e linguística.

    Bom, vamos ao que nos preocupa neste momento em que o país está mais para vinagre estragado do que para um saboroso vinho de uva moscatel. Faz muitos anos que resido na região do bairro de Vila Maria, aqui na cidade de São Paulo, e, caso o senhor não se situe bem quanto à localização, Vila Maria é aquele bairro que ficou famoso por ter virado xodó do ex-presidente Jânio Quadros. Seu doutor prefeito desculpe-me a franqueza, mas as coisas por aqui estão brabas, ou melhor, os moradores daqui estão brabos de fazer inveja ao bicho mais brabo que existe. Está tudo fora do lugar.

    Na área de saúde as queixas são de arrepiar. No único hospital da região, de codinome Vermelhinho, não há meio de melhorar o atendimento, e isso deixa a população preocupada e até mesmo meio enfezada. Hospital lotado, falta de leitos para acomodar os enfermos, emergência com área limitada e UTI com vagas insuficientes. De um lado quem dirige o hospital, que é a organização social SPDM, diz que o dinheiro que a prefeitura manda é pouco para tocar adequadamente, e do outro a Prefeitura que, depois de três anos de seu mandato, ainda não definiu o quer fazer de fato na área de saúde pública. Sabe seu doutor prefeito, eu também fiz parte do conselho deste hospital e juntamente com outros colegas, no meio deste ano de 2015 fomos ao Ministério Público. Lá, até conseguimos um dinheirinho, R$ 2,5 milhões, para ajudar a pagar a divida do hospital que era em torno de R$ 6 milhões. A dívida diminui por um ou dois meses, mas, já aumentou outra vez e beira os R$ 5 milhões. O senhor trocou o secretário de saúde, mas é como se não tivesse trocado, continua tudo ineficiente. Não adianta trocar o secretário, e manter a mesma estrutura com os mesmos coordenadores que estão perdidos em suas frustrações. Sua administração está contaminada por uma entropia sem fim. Enquanto o senhor se preocupa em recuperar a saúde financeira do município, peca por esquecer que saúde não pode esperar dois, três anos por mais recursos. Saúde sem dinheiro é igual a rio seco que não deságua em lugar nenhum.

    Ah, e não se esqueça das chuvas de verão onde a dengue com seus algozes zica e chikungunya vêm com tudo em 2016. Creio que as ações contra esse mal não deveriam parar nunca, mas, ao que nos parece, o senhor secretário municipal de saúde resplandeceu recentemente na TV iniciando um programa de combate ao mosquito, como se tudo fosse pela primeira vez. E o pior é que o mesmo já foi ministro da saúde.

    Agora eu queria mudar um pouquinho o tema para falar das construções que estão acontecendo por aqui. Sabe, seu doutor prefeito, um cara endinheirado compra um terreno onde tem um casario antigo. Dá entrada na Prefeitura dizendo que vai reformar o casario. Dias depois, e isso não demora muito não, é colocada uma placa no local com o nome do engenheiro responsável pela obra comunicando o inicio da reforma. E aí que a coisa fica assombrosa. Os vizinhos do lado acordam um dia de manha, com trancos e solavancos de demolição, o que provoca todo tipo de estrago em suas casas, desde trinca até queda de muros e até mesmo de cômodos inteiros devido à retirada de barrancos sem critérios técnicos pertinentes. Rapidinho tudo é posto abaixo e também rapidinho dias depois começa a erguer no local um galpão que não segue a lei com recuo nas partes frontal e laterais. Passado mais um tempinho começa a construção do andar de cima onde se pretende fazer uns apartamentinhos para locação. E, em alguns casos ainda resolve construir mais um andar em cima deste outro. Isso não é estranho. O que o senhor acha? E agora lhe pergunto. Por que não existe fiscalização durante a obra para checar a tal da reforma que foi devidamente aprovada pelo engenheiro da Prefeitura? O senhor acha bom para o futuro da cidade deixar transcorrer sem empecilho construções desse tipo. E o IPTU do imóvel novo, como é que fica – levinho como o do casario antigo ou caro como deveria ser cobrado de uma nova edificação nestas proporções? Afinal quem será beneficiado com a construção de um galpão irregular onde no futuro quem for alugar não conseguirá alvará, e que outros malandramente alugarão como depósito, mas na verdade serão pequenas transportadoras causadoras de transtornos para a vizinhança? Acho que apenas o dono da obra. Ou teria mais alguém feliz com o desmonte da cidade? É seu doutor prefeito, a coisa está braba mesmo. E agora eu concluo que foi uma perda de tempo de minha parte participar de reuniões de plano diretor e discutir um zoneamento de araque. Nestas reuniões pregam coisas bonitas para o futuro da cidade, mas, na prática tudo não passa de tapeação.

    Outra coisa que me deixa encafifado é a danada da ponte do Parque Novo Mundo que está interditada desde o inicio de seu mandato. A população local fez de tudo para chamar a atenção. Mas, pelo visto, nem a imprensa televisiva o sensibilizou.

    Só mais um pontinho nevrálgico. O Parque do Trote, o senhor conhece este parque? Pois é, anos atrás havia um projeto composto de quatro fases para a sua construção. As duas primeiras fases foram contempladas em uma obra às pressas, na época do Serra, que então desejava abandonar a Prefeitura para se candidatar a governador. As duas últimas fases ficaram adormecidas até hoje. Correspondiam à reforma dos imoveis tombados – casarão, cocheiras e bilheterias - pelo patrimônio histórico e implantação da equoterapia que beneficiaria inúmeras crianças e adultos com problemas

    psicomotores. Hoje pode se dizer que os imoveis foram tombados sim, ou melhor, viraram ruinas tombadas no chão que só não são vistas a olho nu porque estão escondidas em áreas cercadas por uma cortina de mato providencial. Quanto à equoterapia, acho que a sua administração nem sabe o que é equoterapia.

    Agora vou me despedindo, porque o espaço é curto e não cabe mais um tanto de outras queixas que ainda tenho a fazer. Quem sabe na próxima vez.

     



    Escrito por Eduardo Bizon às 16h58
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