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    Eduardo Bizon

    CronicaMemorialista



     
     

    O Estábulo

     

    Os anos vão se passando, os costumes mudam de acordo com a época, a gente vai se adaptando, se moldando, mas, alguns hábitos adquiridos pela influência de sábios professores que estamos sempre lembrando e não esquecemos jamais, continuam mantidos para todo o sempre. E foi assim que aprendi a ter gosto pela leitura de poesias e poemas, especialmente os de poetisas. A possibilidade de poder pelo menos tentar desvendar o sensível universo feminino é cativante e me agrada a leitura dos versos das brasileiras Cecília Meireles e Cora Coralina, da portuguesa Florbela Espanca e da chilena Gabriela Mistral. Um poema da poetisa chilena que retrata o nascimento de um menino trilhou o caminho para que eu viesse redigir este texto que proponho que seja uma crônica de natal ou qualquer coisa parecida.

            Farei um breve resumo sobre a história de Gabriela Mistral, tão conhecida dos povos da América do Sul. Nasceu numa pequena aldeia de Elqui, no Chile. Foi batizada com o nome de Lucila Godoy y Alcayaga. Seu pai abandonou a família quando ela ainda era pequena. A mãe viveu muitos anos e contou que surpreendia a filha sozinha a conversar com as aves e com as flores. Ainda jovem, com quinze anos, tornou-se professorinha na escola de sua aldeia. Aos vinte anos apaixona-se e casa-se com um homem simples, operário da estrada de ferro. Tempos depois ele a traiu e o destino o levou, pouco tempo depois, a interromper seus dias, suicidando-se. Tal faceta veio cumprir o destino da jovem camponesa. Os poemas escritos em memória do morto revelaram uma obra poética melancólica e apaixonada. Para seus alunos, a quem transferiu amor maternal, criou canções ingênuas e cantigas de roda. Numa estranha mistura de hinos religiosos e cantigas infantis, poemas com gosto de terra, sobre o pão e o vinho, o sal, o milho e a água, ofereceu a todos os povos sedentos do mundo o alimento de uma linda fonte que jorra limpidamente sobre seus corações. Em 1945 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Eis o poema:

    Ao chegar a meia-noite

    rompendo em pranto o Menino,

    cem animais despertaram

    e o estábulo se fez vivo.

     

    Acercaram-se estendendo

    para o lado do Menino,

    cem pescoços anelantes

    como um bosque sacudido.

     

    Um boi exalou-lhe ao rosto

    seu bafejo - mas sem ruído.

    E tinha olhos ternos

    a humildade do rocio.

     

    Uma ovelha o acariciava

    contra sua lã suavíssima.

    E as mãozinhas lhe lambiam

    de cócoras, dois cabritos.

     

    Pelas paredes do estábulo

    docemente espaireciam,

    bandos de melros e galos,

    de faisões e de palmípedes.

     

     

    Os faisões com reverência

    passavam sobre o Menino

    a grande cauda de cores;

    as aves de largos bicos.

     

    Vinham ajeitar-lhe as palhas;

    e dos melros o remoinho

    era um palpitante véu

    por sobre o recém-nascido.

     

    E a Virgem entre chavelhos

    e respiros brancacentos,

    ia e vinha tonta, sem

    poder tomar o Menino.

     

    E José chegava rindo

    para ocultar a mofina.

    E era como bosque ao vento

    o estábulo comovido.

                 Ao meu gosto não tem poema sobre a natividade mais cativante do que este que tem por título "O Estábulo". De maneira iluminada seus versos me induzem a refletir sobre as palavras simplicidade, humildade, generosidade, enfim, todas essas palavras do nosso idioma que rimam com a palavra bondade. O quadro singelo está aí pintado. É comovente o respeito e cuidado dos animais com a nova vida que vem chegando e a reação espontânea de alegria dos pais no interior do estábulo comovido.

                 Esse poema me faz lembrar minha mãe. Com seus oitenta e dois anos, nos dará o prazer, de celebrar mais vez o Natal em família. Dias atrás passei em sua casa. Ao entrar na sala a encontrei desembrulhando imagens envolvidas com papel jornal para armar o presépio que conserva a mais de cinquenta anos. Não me contive e iniciei minha participação na adorável tarefa. Montamos o presépio mais lindo do mundo, o mesmo presépio de minha infância, o mesmo presépio que tantas vezes nos cativou e que conserva a magia de nos fazer recordar momentos felizes.

                 Aos meus conhecidos e desconhecidos que vierem a ler este texto, é o meu desejo que encerrem o ano em família e muito felizes.   

     



    Escrito por Eduardo Bizon às 12h00
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    Tolos enganos

    Quando Lula ganhou a eleição para presidente da república, parecia que as coisas iriam entrar aos poucos nos eixos e tudo poderia mudar em nome da esperança. Coisa de slogan de campanha. Passados pouco mais de uma década desde que assumiu a presidência pela primeira vez, o brasileiro que pensa conclui que tudo não passou de tolos enganos. As ilusões foram jogadas pelo ralo, os sonhos se transformaram em pesadelos. É muita sujeira, muito desvio de dinheiro público, muita incoerência entre o que se falou e o que se fez. O país continua num atoleiro sem fim e as reformas necessárias não aconteceram. No governo federal explodiu o escândalo do Mensalão, nos governos estaduais de São Paulo e de Brasília os escândalos no Metrô e no Trem Metropolitano e no governo municipal de São Paulo a roubalheira imposta pela máfia do INSS que funcionava que era uma maravilha desde 2002. Vivemos na vida real o “Auto da Barca do Inferno” de Gil Vicente. E nesta barca ninguém se salva.

     É demoníaca a aptidão dessas pessoas, estrategicamente posicionadas em cargos comissionados, de se corromper para canalizar recursos para campanhas políticas e também para enriquecimento próprio.  Mais demoníaca ainda é falta de escrúpulos dos políticos que os indicam para ocupar tais cargos, e, quando a casa cai se fazem de inocentes, do tipo eu não vi nada, eu não sabia de nada.

     Desde a adolescência me esforço para tentar entender os rumos impostos por essa tal de política de araque onde o poder acaba caindo, na grande maioria das vezes, nas mãos de pessoas prepotentes, arrogantes, desonestas, falsas, incompetentes e ignorantes. Fazer o que? No mínimo a população precisa ser esclarecida. O caminho das pedras pede coragem. E, coragem é coisa de doido nesse país de leis distorcidas. De qualquer maneira, coragem, aliada à perspicácia, são instrumentos necessários para desmantelar o jogo de cartas marcadas.

     Em anos de eleição tudo pode acontecer. Obras sem planejamento e superfaturadas rolam sem empecilhos. Brindes e cestas básicas são distribuídos como troféus na cata de votos do obscurantismo. Artistas, se é que podem ser chamados de artistas, se vendem por cachês milionários para promover falsos políticos. Fortunas provenientes de fontes escusas são gastas em propagandas enganosas. E nada ainda foi feito no Congresso Nacional para mudar esse quadro tenebroso, cujas consequências nocivas estão levando nossas instituições á falência.

     O alento para prosseguir, e agora eu serei otimista, é que no embate democrático a resposta pode ser dada nas urnas. Ao longo de nossa história muitos têm nos enganado. Alguns ainda continuarão nos enganando por mais algum tempo. Mas chegará a hora em que serão desmascarados de fato. E se assim não for continuaremos a amargar tolos enganos.



    Escrito por Eduardo Bizon às 13h37
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    Praça Orlando Silva "O Cantor das Multidões"

    No dia 3 de outubro de 2010, recebi um e-mail enviado pelo doutor em biologia e professor universitário, Silvano Pereira, que, aliás, também tinha como atividade pesquisar detalhadamente a história de Vila Maria, bairro da cidade de São Paulo, para a publicação de um livro. O e-mail dizia o seguinte:


    Foto do site ZN na Linha

    Leia entrevista: http://www.znnalinha.com.br/vilamaria/html/silvano.html

     “Lembrei-me, hoje é dia 03 de outubro, que lá no longínquo ano de l9l5, nessa mesma data, nascia o incomparável Orlando Silva que aos 19 anos, levado pelas mãos de Francisco Alves, estreava no rádio e que com apenas dois anos de carreira já era conhecido como o "Cantor das Multidões". Lembrei-me também que o dia 27 de setembro, foi o dia do aniversário da morte de Chico Alves, pois o "Rei da Voz" morreu em um acidente de automóvel no dia 27/09/52, na via Dutra, em Pindamonhangaba. Os veículos de mídia teriam feito alguma menção a essas datas? Eu não vi nada.

     Convém lembrar que esses dois cantores ao lado de outros cancioneiros como Silvio Caldas, Carlos Galhardo e depois Nelson Gonçalves figuram entre os maiores interpretes da MPB em todos os tempos.

     Na Vila Guilherme uma praça foi batizada com o nome do intérprete de “Rosa”, “Carinhoso”, “Nada Além”, “Renúncia” e outras mais de mil músicas e nas placas onde se lia “Praça Orlando Silva” e, abaixo do nome, “O Cantor das Multidões”, hoje se lê “Orlando Silva” e, abaixo do nome, os dizeres “Praça Orlando Silva”. Como se percebe, além da redundância, neste caso como em tantos outros, nada consta nas placas sobre a atividade em que se destacou o homenageado que dá nome ao logradouro. Isto dá margem a muita confusão. Neste caso, muitas pessoas acreditam que o nome da praça seja uma homenagem a um filho de Guilherme Praum da Silva, fundador do bairro, porém, seu Guilherme não teve nenhum filho com o nome de Orlando.

     Além dessa confusão toda, ocorre que o busto do cantor, tal como os óculos do Drummond, em Copacabana, foi por mais de uma vez retirado por catadores. Ora se o bronze é um material tão cobiçado por que nossas autoridades não mandam confeccionar um busto de mármore ou granito? Será que o inesquecível cantor não merece isso?”

                 Sensibilizado com a notícia recebida ontem, 14 de Novembro de 2013, por volta das 22 horas, da filha do professor comunicando seu falecimento, saí à cata desse e-mail que eu havia gravado em meus arquivos, para de alguma forma homenagear esse ilustre senhor que fez parte de meu restrito circulo de amizades, e da mesma forma relembrar Orlando Silva, o ídolo maior de Silvano Pereira.

                 Para ir mais além, li uma reportagem publicada no jornal “O Estado de São Paulo”, em 11 de Novembro de 1996. O texto intitulado “Abandonada, Praça Orlando Silva quer a multidão de volta”, diz que a praça recebeu um novo busto do cantor para substituir o original que desaparecera, e, além disso, tornou a oferecer eventos musicais aos admiradores como parte da programação da época da “Semana da Música Popular Brasileira”.

                 A Praça foi inaugurada em 16 de outubro de 1980, com apresentações de grandes nomes contemporâneos de Orlando Silva, como Gilberto Alves e Carlos Galhardo, sempre tendo presente uma multidão de fãs. E como diz a matéria do Estadão, a Praça foi novamente inaugurada depois de um período de abandono. Atualmente, é triste dizer, mas a Praça precisa ser inaugurada mais uma vez para que seja espantado o sentimento de descaso e de memória curta que persegue o povo brasileiro. Orlando Silva não deveria jamais ser esquecido. “O Cantor das Multidões” precisa ser relembrado pelas gerações futuras. Não fosse Orlando Silva e seus contemporâneos a MPB não teria evoluído tal como evoluiu. A Bossa Nova não teria surgido para modernizar o ambiente musical e tornar a música brasileira conhecida pelo mundo todo.

                 É fato que os administradores públicos não dão a mínima importância quanto à preservação de locais como a “Praça Orlando Silva”. Presenteá-la com um novo busto que seja a prova de furtos e quem sabe trazer de volta shows musicais de tempos em tempos como maneira de preservar a memória do ídolo de mais de uma geração. A Praça localiza-se num dos pontos mais importantes e movimentados da Zona Norte da cidade, para onde convergem vias importantes como as Avenidas Zachi Narchi e Luis Dumont Villares e as Ruas Maria Cândida e Olavo Egídio.

                 Professor Silvano se foi, mas, infelizmente, a doença que o acompanhou nos últimos anos o impediu de concluir o livro sobre o bairro de Vila Maria e região. Este foi o jeito que encontrei para despedir-me de um grande amigo. Quando conversávamos, o professor demonstrava sua admiração por Orlando Silva e lamentava a falta de sensibilidade dos prefeitos que se esquecem de preservar locais significativos como a Praça Orlando Silva.



     



    Escrito por Eduardo Bizon às 10h04
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    Quintais imaginários da vida

    A semana que passou foi marcada por datas significativas. Dia 31 de Outubro é comemorado o Dia do Saci-Pererê.  Instituído com a intenção de abrasileirar a comemoração de uma data que até então tem sido celebrada com o nome de “Halloween” ou “Dia das Bruxas”, festa típica de países anglo-saxônicos. Muito embora o nome oficial agora seja de um personagem do folclore brasileiro, vai demorar algum tempo para que a tendência se concretize. Ao observar meus filhos e namoradas se preparando para uma festa desta data, notei que nenhum deles se fantasiou de saci, de iara, de caipora, lobisomem ou de qualquer outro personagem do nosso folclore.

              De qualquer maneira, foi dado o primeiro passo. É fascinante conhecer e importante fazer perpetuar o folclore do país em que vivemos através de estórias originárias de seus ancestrais. Lendas trazidas pelos europeus que aqui chegaram a partir do descobrimento. Lendas originárias de crendices indígenas com seus entes ligados à natureza – o sol, a lua, os rios, as plantas e os animais. Lendas trazidas pelos negros africanos com seus entes fantásticos e outras oriundas do nebuloso período de escravidão que marcou a ferro e sangue a história do nosso jovem país - as lendas de Zumbi e do Negrinho do Pastoreio, entre tantos outros mitos.

     Agora mudo de conversa para falar do Dia de Finados, 02 de novembro. Dedicado aos familiares e amigos que partiram. Procuro, neste dia, resgatar a imagem em vida daqueles que se foram. E desta forma, ao invés de chorar mais uma vez pela perda, procuro relembrar os bons momentos vividos. E assim reflito embalado pelo bálsamo do sentimentalismo...

     Dirijo-me ao fundo da casa e abro as janelas para os quintais imaginários da vida. Exalto a natureza com toda sua exuberância. Glorifico a razão pela qual estamos aqui neste mundo. Procuro a palavra exata e a encontro. A palavra exata é vida. Passo por um dos quintais, depois por outro e mais outro. Chego à conclusão de que muitos têm sido os quintais de minha vida, e, constato que o que vale a pena, mesmo, são as coisas mais simples, as mais banais, aquelas que não precisam de dinheiro para que a tenhamos e nem de poder para que a conquistemos. Basta um olhar de ternura, um sorriso sincero, um gesto de humildade, um ato de generosidade.

     Por um momento penso nas árvores, no canteiro e nas plantas do meu pequeno jardim. No prazer de mexer a terra e de sujar as mãos com a mesma terra que, através de seu útero universal, faz germinar novas vidas. Aprecio o pé de pitanga que nesta época está forrado de frutinhas vermelhas. Fico curioso ao ouvir um canto diferente e me surpreendo ao notar um sabiá saltando de galho em galho na primavera florida. A natureza resiste diante do caos urbanístico. Observo as orquídeas oriundas das minas gerais, presenteadas por um primo-irmão. As que conseguiram agarrar as raízes aos troncos das árvores, resistiram às intempéries e floriram.

     Retorno ao quintal de minha infância. Estou no pomar da casa de minha avó. Pergunto-me pelas hortas que não fiz. Vejo nitidamente as jabuticabeiras com suas frutinhas pretas brilhantes de alegria. Sinto a sombra fresca debaixo da copa da imensa mangueira, o balanço amarrado ao galho oscilando como o pêndulo de um relógio marcando as horas de minha vida. Meus avós, tios, primos e amigos que partiram. Se de um lado me sinto triste, de outro estou feliz, tenho meu amor, tenho meus filhos e muitas janelas aguardando para que juntos possamos abri-las.

     Dia 1º de novembro é o Dia de Todos os Santos, data muito importante para os católicos. Dia 3 de novembro, minha querida mãe comemora mais um aniversário, 82 anos de idade. Meu desejo é que ela continue com saúde e que permaneça em nossa convivência por muitos anos. Mamãe é uma pessoa boníssima, daquelas que as janelas para os quintais imaginários continuarão se abrindo para muito além dessa vida.



    Escrito por Eduardo Bizon às 21h02
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