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    Eduardo Bizon

    MeioAmbiente




     

    Anjos de Deus

     

    Hoje, 29 de dezembro de 2013, ao assistir o Esporte Espetacular da Rede Globo, eu, que tenho formação em engenharia cuja essencialidade é a racionalidade, e que não tenho por hábito me emocionar facilmente, por mais que eu me esforçasse para dizer que não, me peguei com os olhos lacrimejando. Trata-se da reportagem “Portadores de necessidades especiais superam dificuldades através do Tae Kwondo”, que fala sobre o projeto do policial militar de São Paulo, Marcelo Rezende, que treina gratuitamente esta modalidade de luta marcial nas instalações da Policia Militar. Tempos atrás ele foi procurado pela Fundação JK que propôs a ele o desafio de treinar também pessoas portadoras de necessidades especiais. O desafio foi posto em prática, e, hoje o Esporte Espetacular apresentou três dos beneficiados. O jovem Hugo que nasceu com paralisia cerebral, nunca andou, mas que após o treinamento começou a andar e hoje é faixa preta de Tae Kwondo. O professor de letras aposentado de cinquenta e um anos de idade que foi acometido de uma doença degenerativa que lhe tirou o movimento dos braços e que poderia espalhar para outras partes do corpo, mas, que com o treinamento estacionou a doença. E a menina Gabriela de seis anos de idade que nunca andou e que após iniciar o treinamento começou a gatinhar e mover as perninhas.

                 Depois de assistir à reportagem, comecei a refletir, e retornei seis anos no tempo. Sentei de fronte ao meu microcomputador para redigir este texto para compartilhar com outras pessoas a falta de sensatez dos nossos governantes para tudo o que se refere às pessoas portadoras de necessidades especiais.

                 No ano de 2007 fui por algum tempo conselheiro gestor do Parque do Trote, localizado no bairro de Vila Guilherme na cidade de São Paulo. Esse parque municipal antigamente pertencia à Associação Paulista de Trote, ou seja, era o local onde eram realizadas corridas de cavalos em charretes ou sulkys. Em 2005 a área foi desapropriada para que o local se transformasse no que hoje é designado de Parque do Trote. À época o prefeito de São Paulo era José Serra. Como Serra ambicionava o governo do estado precisariam acontecer muitas obras de modo a convencer a população da cidade de que se ele fosse um bom prefeito entre aspas poderia ser o futuro bom governador também entre aspas. Dessa forma o projeto do Parque do Trote que constaria de quatro fases foi contemplado com uma das obras que alavancaria na região votos para sua eleição a governador. Com auxilio financeiro da construtora que almejava construir dezoito torres de apartamentos na área vizinha ao Trote, o antigo Marte Center, foram realizadas sem muito planejamento as duas primeiras fases. As duas fases finais, depois de sete anos ainda não saíram do lugar. Nem Serra, nem Kassab e por enquanto nem Haddad mostraram suas intenções quanto à realização das duas ultimas fases.

                 A terceira fase corresponde à reforma e recuperação das cocheiras, bilheterias, arquibancadas do antigo hipódromo que foram tombados pelo patrimônio histórico da cidade. Infelizmente nada foi feito, e o que restou, tristemente, está praticamente em ruínas. A quarta fase, e agora que eu retorno ao inicio deste texto, consta em implantar a Equoterapia nas dependências do Parque do Trote.

                 A Equoterapia, aprovada pelo Conselho Federal de Medicina em 1997, é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo para estimular o desenvolvimento de pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais envolvendo profissionais das áreas de saúde, educação e equitação. É indicada para adultos e crianças com alterações físicas, psicológicas e sociais, e crianças com déficit de aprendizagem, hiperatividade e distúrbios comportamentais.  

                 Em 2007 levei em uma reunião ordinária duas representantes do IAD (Instituto Anjos de Deus), uma Organização Social de Interesse Público (OSCIP), representada pela pedagoga Mariluci Andrade e pela fisioterapeuta Rosana Cruz, onde foi exposto o trabalho que desenvolviam e também o interesse que tinham em poder somar esforços no atendimento gratuito à população carente da cidade que necessita desse tipo de tratamento.

                 À época, o IAD elaborou projeto detalhado demonstrando capacidade técnica para atender inicialmente 160 pacientes, dobrar em alguns meses para 320 e atingir a capacidade total de 600. Falaram da carência desse tipo de atendimento cuja fila de espera, na época, era de 900 pacientes que aguardam até cinco anos para o primeiro atendimento. Ressaltaram ainda que o Parque poderia se tornar referência em Equoterapia com possibilidades de parcerias com outros países adeptos, como a Itália, por exemplo. Ao final uma paciente do IAD, presente à reunião, sensibilizou, dizendo que quando estava sobre o cavalo, fechava os olhos, e tinha a grata sensação de estar caminhando normalmente com seus próprios pés.

                 Como eu disse anteriormente, fui conselheiro por pouco tempo do Parque do Trote. Depois de participar de algumas reuniões acabei me convencendo da minha saída. Constatei que alguns dos conselheiros eram ligados a partidos políticos e defendiam interesses de vereadores e desta forma acabavam dificultando o andamento de ações cujas únicas finalidades eram a de promover o bem estar social, principalmente da população carente. 

                 A Equoterapia é cara e só tem acesso uma minoria da população que tem alto poder aquisitivo para bancar o tratamento. E, por que não implantar esse tipo de tratamento gratuitamente à população menos favorecida? E, por que não implantar no Parque do Trote, conservando a tradição de suas concheiras que por tantos anos acomodaram cavalos de corrida de sulkys?

                 Agora, finalzinho do ano de 2013, nada se fala mais a respeito de Equoterapia no Parque do Trote. Quem sabe esse texto possa de alguma maneira chegar a ser lido por gente que se interesse pelo beneficio que muitas crianças e adultos portadores de deficiências possam vir a receber.

     



    Escrito por Eduardo Bizon às 16h44
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    Plano Diretor da cidade de São Paulo?

     

    Segunda-Feira, dia 09 de Dezembro, aconteceu uma plenária local para expor aos pouquíssimos presentes, as proposições daquilo que se pretende para a cidade de São Paulo nos próximos dez anos. Havia na quadra esportiva do clube municipal do bairro de Vila Maria, em torno de quinze representantes da população e o restante, para avolumar e causar falsa impressão de lotação, funcionários que trabalham na Subprefeitura.

     Eu, que não pude participar das reuniões que aconteceram anteriormente, resolvi comparecer desta vez para ouvir o que a principio chateou e ao final não convenceu. Ainda não será dessa vez que a cidade terá um Plano Diretor capaz de orientar o crescimento sustentável.   

     Uma arquiteta expos o que foi previamente preparado, falando em eixo disso e eixo daquilo, em zonas de preservação ambiental, em mobilidade urbana, em recuperação do centro, no tal do arco do futuro cuja área é delimitada pelos rios Tietê e Pinheiros e pelas ferrovias onde se concentram as indústrias, e, depois, voltou-se novamente a frisar os tais dos eixos numa linguagem tecnica de difícil entendimento aos leigos presentes. Eu que tenho formação em engenharia e que já participei de discussões do plano diretor traçado na época da prefeita Marta Suplicy, confesso que por alguns momentos fiquei boiando e ao mesmo tempo me perguntando: o plano diretor atual não deveria se espelhar nas propostas definidas no plano diretor de 10 anos atrás?  Ou pelo menos dar sequencia em alguns pontos fundamentais definidos naquela época como, como por exemplo, as questões que envolviam transporte coletivo (corredores e terminais intermodais, etc.)? Marta não foi reeleita e seus sucessores Serra e Kassab simplesmente ignoraram o que havia sido estabelecido e governaram mal a cidade à luz de suas opacas estratégias de falsos profetas. De outro modo, cada qual parece entender que deva começar do zero, não dando continuidade às propostas de seus antecessores.

     Havia dois vereadores na plenária. José Police Neto como mediador e Nabil Bonduki que é o relator do plano diretor. Depois da fala da arquiteta, pessoas do publico se inscreveram para se manifestar. Alguns fizeram um pouco de confusão para falar de saúde e outros assuntos não referentes ao plano diretor, mas, aproveitaram a oportunidade para expor as deficiências do sistema de saude e da ausência do senhor prefeito e do senhor secretario municipal de saúde que depois de um ano de governo ainda não visitaram a região. Outros falaram sobre a vocação, ou melhor, que é preciso desvendar qual o tipo de vocação da região de Vila Maria, além de que é preciso olhar com mais atenção para as comunidades de favela localizadas da região da Funerária. Outros sobre a linha do Metrô prevista para os próximos anos, e outros sobre o transporte de carga que é o problema mais grave e que causa um forte impacto nocivo à qualidade de vida da população, principalmente no que se refere ao Terminal de Cargas Fernão Dias e que o plano diretor deveria no mínimo prever sua desativação nos próximos anos.

     Ao término das falas, foi passada a palavra ao vereador Nabil Bonduki. E aí eu fiquei incomodado. Nabil, um dos sérios e confiáveis vereadores da atualidade, renomado arquiteto, professor da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) e relator do plano diretor mostrou desconhecer os problemas causados pelas inúmeras transportadoras espalhadas pelos distritos de Vila Maria e Vila Guilherme e comunicou-nos que ainda teríamos mais uma semana para nos manifestar através do site da Câmara e propor alterações neste plano diretor que não prevê nem ao menos um corredor de ônibus para a região. Não é possível que apenas as zonas leste e sul da cidade sejam vistas pelo pessoal que traça o plano diretor. Na verdade, e aí é uma opinião particular, mira-se muito mais o potencial de voto das regiões que é para onde são direcionadas as propostas de melhorias.

     O cenário é complicado. Passado o primeiro ano de governo, o prefeito eleito ainda não mostrou para o que veio. Os vereadores da comissão relativa ao plano diretor desconhecem os reais problemas locais. Recuso-me falar a palavra esperança ou de que quem sabe no ano que vem tudo melhore, pois é ano eleitoral e coisa e tal. A população de São Paulo não quer ouvir falar de eixo de plano diretor disso ou daquilo. Os moradores da cidade querem ação, e, neste ano de 2013, o que viram foi uma inércia angustiante.

     



    Escrito por Eduardo Bizon às 17h37
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